PARTE II: _A Eschola italiana._--Na transição affectiva da Edade
media operava-se uma synthese lenta na civilisação europêa, ou unidade que tende a realisar no seu destino: a poesia trobadoresca iniciára, como diz Quinet, a egualdade perante o amor; pela emancipação das classes servas e luctas do Terceiro estado estabeleciam-se as bases para a unidade politica; apezar da depressão religiosa, o sentimento christão ainda inspira uma acção commum nas Cruzadas, e dá ensejo ao ultimo emprego da intervenção da força na liga contra os Turcos; as grandes navegações, o estabelecimento do regimen colonial e do credito, preparam a unidade economica. A dictadura monarchica, desvairada pelos interesses dynasticos, é que separava as nações por um systema de guerras alimentadas pela chimera da _Monarchia universal_. N’este periodo brilhante da Renascença, as Litteraturas romanicas tendem para uma certa unidade esthetica, imitando-se mutuamente. A Italia occupou n’este momento da civilisação um logar analogo ao que Roma conservou depois da sua queda durante a transição da Edade media, em que a letra dos seus codigos continuava a sua supremacia; a Italia, depois de subjugada pela Allemanha e pela França, viveu pela Arte, dominou os seus invasores pelo influxo esthetico. A poesia italiana era um desenvolvimento do lyrismo dos trovadores, menos casuistico e mais philosophico; todos os povos modernos que tinham conhecido o lyrismo trobadoresco acceitaram a nova expressão do sentimento, e a Italia ficou como que a Grecia do mundo moderno. Faziam-se viagens á Italia como em santa romagem para sentir de perto a antiguidade, para se repassarem do espirito da cultura latina, para observarem a sumptuosidade sensual da Renascença. Os monarchas eram educados por pedagogos italianos, como Francisco I, amigo de Benvenuto Cellini; procuravam attrahir para as suas côrtes os grandes artistas, como Henrique VIII a Ticiano e a Raphael; davam suas filhas em casamento a princepes italianos, como D. Manoel concedendo a infanta D. Beatriz ao duque de Saboya. Os filhos das principaes familias de Portugal, como Luiz Teixeira, João Rodrigues de Sá e Ayres Barbosa, iam completar os seus estudos á Italia, sob a direcção de Angelo Policiano; ou a frequentar a lição dos jurisconsultos, que as Universidades pagavam principescamente. Em uma comedia de Jorge Ferreira chasquêa-se d’esta monomania da viagem á Italia.
=_Sá de Miranda e a Pleiada portugueza._=--O momento definitivo em que a poesia italiana influenciou em Portugal, fixa-se no regresso de Sá de Miranda da viagem em que percorrera Roma, Veneza e Milão «em tempo de hespanhóes e de francezes,» isto é, desde 1521 a 1527. Durante a sua digressão artistica Sá de Miranda praticou com Ruscellai e com Luctancio Tolomei; vinha fascinado com os _Assolanos_ de Bembo, com as phantasias cavalheirescas do _Orlando_, enlevava-o o platonismo de Petrarcha e de Dante, cuja relação com os trovadores provençaes lhe era já conhecida; vinha desvairado pela exuberancia de vida e de alegria da saturnal da Renascença, que o seu espirito catholico condemnava. Quando regressou á côrte portugueza, tinham acabado os serões do paço, onde ouvira poetar ainda D. João de Menezes; quiz ensaiar os novos metros, receioso de ir de encontro á auctoridade perstigiosa da poetica hespanhola, abonava-se com o exemplo de Garcilasso, e indicava como o proprio Petrarcha derivou o seu lyrismo dos provençaes. Os partidarios do verso octosyllabo tinham pelo seu lado os poetas palacianos, e a suspeição contra as ideias da Reforma. Em volta de Sá de Miranda foram-se agrupando os novos, como D. Manoel de Portugal, Francisco de Sá de Menezes, Pedro de Andrade Caminha, Diogo Bernardes, Agostinho Pimenta, o Dr. Antonio Ferreira e Jorge de Monte-mór, e por ultimo André Falcão de Resende; pelos seus ensaios poeticos estreitavam uma encantadora amisade formando uma _Pleiada_ egual á franceza, não menos sympathica e innovadora.
A Eschola italiana era combatida pelos sectarios da poetica de Encina que preferiam escrever em _castelhano_, e pelos eruditos, que se vangloriavam de metrificar em _latim_. O Dr. Antonio Ferreira foi o que mais propugnou pelo uso da lingua portugueza. Desgostado da côrte, Sá de Miranda retirou-se para a vida confinada da provincia, moralmente alquebrado antes de tempo; distrahia-se em amenas conversas com Antonio Pereira, o senhor de Basto, na sua quinta da Tapada, lendo no remanso campestre os mais bellos exemplares da poesia italiana. Ali lhe iam ter as poesias de Caminha, de Bernardes, de Ferreira, e o princepe herdeiro D. João, que começava a sympathisar com a poesia, instava para que lhe mandasse a collecção dos seus versos. Por trez vezes lhe enviou cadernos das suas composições para comprazer amavelmente com a curiosidade do princepe, que mandava tambem a Evora o seu secretario Luiz Vicente copiar os versos de Fernão da Silveira.
Por falta de um ideal superior a poesia lyrica tornou a cahir no mais acanhado personalismo; vertiam-se excerptos de Anacreonte e de Moscho, e odes de Horacio. Porém entre estes Quinhentistas que se admiravam na mais beatifica ingenuidade, que se louvavam em todos os seus versos, que se chrismavam com nomes bucolicos, que eram camareiros-móres, desembargadores, commendadores, apparecia um homem de genio, irreverente, travesso, sem fumos de erudição nem de gerarchia, que se identificou com a Renascença pelo seu espirito de rehabilitação da Natureza, e que amou a Edade media para agradar ás damas; era Camões, que teve a comprehensão suprema da poesia italiana. Os outros poetas fecharam-lhe o accesso ao princepe D. João e guardaram silencio absoluto em volta do seu nome; Caminha satyrisa-o duramente alludindo ao verso dos _Lusiadas_: «Dae-me uma furia grande e sonorosa;» Bernardes indicando o nome dos poetas que devem formar um grande Cancioneiro que projecta, não só omitte o nome de Camões, como tambem se apropria de alguns sonetos, eclogas e do poemeto de _Santa Ursula_, talvez desmembrados dos manuscriptos roubados a Camões. Apenas Falcão de Resende, que o conheceu na desgraça e doença, lhe dedicou uma composição moral ou satyra contra os costumes.
=_Camões, e sua Eschola lyrica e épica._=--Sabe-se pela genealogia de Camões, que fôra seu terceiro avô um trovador-fidalgo da Galliza, tendo por parte de sua mãe parentesco com a familia dos Gamas, do Algarve. N’esta orientação ethnica discorre a sua vida: o genio galleziano revela-se na sua superioridade lyrica sobre todos os outros quinhentistas; a tendencia cosmopolita que o levou por toda a extensão do dominio portuguez era essa mesma que fez com que do Algarve sahissem as primeiras caravellas para as descobertas das costas da Africa e das ilhas do Mar Tenebroso. Ainda no seculo XVI formou-se em volta de Camões uma eschola de imitadores, que souberam dar mais sentimento e harmonia ás fórmas italianas. Os versos lyricos de Camões só começaram a ser impressos quinze annos depois da sua morte; reunira-os sob o titulo de _Parnaso_, mas foi-lhe esta collecção furtada logo que chegou a Lisboa em 1570; os editores suppriram esta perda explorando as collecções particulares, como as de Luiz Franco, Manoel Godinho, Antonio de Abreu; e assim se explicam tambem os plagios de Bernardes e de Fernão Alvares d’Oriente. Percorrendo-se as collecções manuscriptas, raro será o poeta quinhentista que não tenha com o seu nome versos que ou pertenceram ou foram attribuidos a Camões. Por este syncretismo litterario se vê, que o gosto e a imitação camoniana levavam os colleccionadores a estes equivocos, ou os plagiarios a uma apropriação irresistivel. Era-se _camoniano_ no fim do seculo XVI, como na época das Arcádias se era _elmanista_. O amor e a philosophia neo-platonica revelaram a Camões a belleza da poesia italiana, em cuja imitação se exercitára ainda na vida escholar de Coimbra, como se vê pela _Elegia da Paixão_; na frequencia do paço foi levado a acceitar a _medida velha_, escrevendo voltas, glosas e endechas, aproximando-se espontaneamente das fontes tradicionaes: cita romances populares, reproduz fórmas encantadoras do lyrismo galleziano e mostrou um conhecimento directo da ecloga _Crisfal_. A sua inspiração veiu-lhe do contacto da realidade: a vida aventureira na Africa, na India, na China, nas Molucas, nos cruzeiros, nos naufragios, nos hospitaes e nos carceres, não lhe dava tempo, nem logar para compulsar classicos gregos e romanos, os grandes poetas italianos e hespanhóes, e a seguir servilmente modelos auctorisados. Subtrahiu-se assim áquella causa que tornou em parte mediocres os Quinhentistas. O contacto da realidade bastou para lhe dar essa melancholia indefinivel, essa tristeza da fatalidade e o protesto eloquente que solta por tudo quanto é verdadeiro e justo. O ideal era o seu refugio; _Natercia_, era uma realidade, e como elle não comprehendia o amor sem tempestades e ruinas, a sua vida dispendeu-se nos accidentes d’esta realidade profunda.
A perfeição do lyrismo de Camões exerceu uma influencia immediata; seguiram-o os lyricos Heitor da Silveira, Simão da Silveira, Estacio de Faria, Antonio de Abreu, André de Quadros, André Falcão de Resende, D. Manoel de Portugal, Vasco Mousinho de Quevedo, Balthazar Estaço e Diogo de Couto, que começou a fazer um commentario aos _Lusiadas_. A naturalidade e verdade da sua inspiração foi comprehendida pela nação, que estava incorporada na unidade hespanhola pela Casa de Austria; serviu de alento ao sentimento de patria e de estimulo á sua autonomia. O valor da obra de Camões resume-se na eloquente phrase de Schlegel: Camões é uma litteratura inteira.
No seculo XVI appareceu nas principaes litteraturas da Europa a preoccupação de uma Epopêa moderna, individual, academica, pautada pelos moldes virgilianos. Estavam esquecidas ou diluidas em novellas as grandes Gestas francezas; faltava um assumpto que servisse de thema ao ideal heroico, e fosse compativel com a sympathia da sociedade moderna; por isso os poetas francezes, italianos e hespanhóes malbarataram esforços sem conseguir essa creação esthetica. Camões deu fórma á moderna Epopêa, por que idealisou o facto capital--a posse da terra e a lucta do homem com a natureza, d’onde deriva a civilisação da Europa na sua synthese activa. O assumpto dos _Lusiadas_ tinha sido entrevisto por outros espiritos, mas faltou-lhes as condições para attingirem a fórma eterna. João de Barros no _Panegyrico_ a D. João III, falla da necessidade de um poema das Navegações portuguezas, e no _Clarimundo_ chega a esboçar quarenta outavas sobre o grande quadro. Os chronistas Damião de Góes e Castanheda reconhecem que é necessario uma fórma mais solemne que a da historia para a exaltar as navegações portuguezas; o poeta Antonio Ferreira incita Caminha a essa empreza; Jorge de Monte-mór tentava um poema do _Descobrimento da India oriental_, e Pedro da Costa Perestrello rasga com desespero o seu poema sobre a expedição de Vasco da Gama, quando viu os _Lusiadas_ de Camões, como conta Faria e Sousa. Camões realisando esta intensa aspiração seguiu o typo virgiliano, que o gosto do tempo exigia; mas salvou-o a intuição do genio, com que soube agrupar em volta do facto historico todas as bellas tradições e lendas da nacionalidade portugueza. É isto o que o distingue dos outros poetas épicos, que julgaram fazer epopêas pondo as chronicas em verso, como Jeronymo Côrte Real com o _Segundo Cêrco de Diu_, em 1574, Luiz Brandão com a _Elegiada_, em 1588, Francisco de Andrade com o _Primeiro Cêrco de Diu_, em 1589. Na expedição inconsiderada de D. Sebastião á Africa, encarregou o monarcha a Diogo Bernardes de ser o seu Homero; Camões foi preterido pela influencia dos intrigantes palacianos, talvez o mediocre Jeronymo Côrte Real. Camões saberia inspirar-se da derrota, como o cantor de _Roland_. Depois da perda da autonomia nacional em 1580, morre o poeta, mas ficaram os _Lusiadas_ como a unica força viva em que se apoiou a consciencia portugueza.
=_A Comedia e a Tragedia classicas._=--Assombrado pelo que vira na Italia, maravilhado com as comedias de Ariosto, de Bibiena e de Machiavelli, no seu regresso a Portugal tentou Sá de Miranda renovar a litteratura dramatica, como o emprehendera com a poesia lyrica. Começou por protestar contra o titulo e a fórma dos Autos hieraticos, e a escrever no gosto italiano. Pallido reflexo da sociedade grega, as comedias latinas de Terencio serviram de typo para o renascimento do theatro classico, em que as _hetairas_ e o _miles gloriosus_ se transformavam nas _cortezianas_ e no _condotieri_. Montaigne descreve este processo litterario: «Muitas vezes me occorre á phantasia, como no nosso tempo, aquelles que se entregam a fazer comedias (assim como os Italianos, que são os mais felizes) empregam trez ou quatro argumentos das de Terencio ou Plauto, para fazerem uma das suas; e accumulam em uma só comedia cinco ou seis contos de Boccacio.» (_Ess._, II, 10.) Sá de Miranda seguiu esta mesma pauta; o cardeal D. Henrique folgava em vêl-as representar. A Comedia classica sustentou-se entre os humanistas, servindo de ensaio litterario nos divertimentos e férias escholares. D’este costume falla Montaigne, ao descrever a influencia pedagogica de André de Gouvêa no Collegio de Guienne, em Bordéos: «j’ay soustenu les premiers personages ez tragedies latines de Buchanan, de Guerente et de Muret, que se representerent en nostre Collège de Guienne avecques dignité: en cela, _Andreas Goveanus_, nostre principal, comme en toutes aultres parties de sa charge, feut sans comparaison le plus grand principal de France.» (_Ess._, I, 25.) Em 1547 veiu André de Gouvêa a Portugal por chamado de Dom João III estabelecer o _Collegio real_ em Coimbra, que os Jesuitas apanharam e converteram no seu Collegio das Artes. Sob a influencia de Mestre André e dos professores francezes é que mais se desenvolveu o gosto do theatro classico, e pela amisade de Diogo de Teive com Antonio Ferreira é que este seria levado a tentar os seus primeiros ensaios dramaticos. Nos prologos das suas comedias se reconhece o esforço para sustentar uma fórma dramatica sem condições de vida. Adstringindo-se ás regras da comedia _motoria_, os quinhentistas esqueceram-se da realidade da vida, sendo muitas vezes incomprehensiveis as situações e mesmo o plano da acção.
Como a Comedia, tambem a Tragedia classica foi conhecida indirectamente, não dos modelos gregos, mas das imitações latinas de Seneca. Separada dos seus elementos mythicos, d’onde derivára, foi esta fórma reproduzida como mero artificio, visando os talentos que a imitavam a manter escrupulosamente _as trez unidades_. Ferreira, um dos mais elevados representantes do humanismo portuguez, teve um conhecimento directo da tragedia grega. Ao ensaiar esta nova fórma litteraria teve a felicidade de se compenetrar do verdadeiro espirito da fatalidade antiga, e de comprehender o valor de um assumpto nacional e moderno. Mas esta direcção justa não foi sustentada; a desgraça de Inez de Castro tornou-se o assumpto quasi exclusivo dos tragicos portuguezes desde os imitadores da comedia de _capa y espada_ até aos exageros ultra-romanticos. A Tragedia classica foi desnaturada pelas Tragicomedias latinas dos Jesuitas, que dramatisavam assumptos biblicos, n’esse como que exercicio collegial, cuja representação com um apparato scenico assombroso durava por vezes dois e trez dias. O Collegio das Artes, de Coimbra, o de Santo Antão, de Lisboa, e a Universidade do Espirito Santo, de Evora, foram os centros em que os Jesuitas mais desenvolveram estes espectaculos tragicomicos. Eram essas Tragicomedias intermeadas de grandes córos cantados por estudantes, apresentando mutações phantasticas, a que se chamou _tramoias_. Na formatura do Prior do Crato representou-se em Santa Cruz a tragicomedia latina _Golias_; e quando D. Sebastião, ainda criança, em 1570 visitou Coimbra, assistiu á representação de uma tragicomedia do P.^e Luiz da Cruz, que durou trez dias. Póde-se inferir, que por via das tragicomedias chegaram a Portugal as primeiras noticias da Opera, que estava ainda nos seus rudimentos, como os _Madrigaes_ da Italia e os _Ballets_ francezes, que se desenvolveram no seculo XVII.
=2.^o Periodo: Os Culteranistas (Seculo XVII):=
Quando as Litteraturas se afastam das fontes naturaes da tradição seguindo uma imitação erudita, ou uma artificiosa originalidade, tornam-se o producto de uma aberração doentia; faltando-lhes a communicação com o publico e um destino social, apoiam-se nos preceitos banaes da rhetorica, e na superstição dos modelos. Deu-se no seculo XVII em todas as Litteraturas da Europa este desvio das suas bases naturaes; chamou-se a esta corrente do máo gosto, _Culteranismo_. Penetrou o seu influxo em Portugal de um modo absoluto, caracterisando todas as manifestações estheticas do seculo, e maculando a obra de espiritos superiores, como D. Francisco Manoel de Mello ou o Padre Antonio Vieira. O que se passou em Portugal foi simultaneo em Hespanha, Italia, França e Inglaterra, o que leva a considerar uma causa geral, immanente ao mesmo seculo. As Litteraturas confinavam-se nas côrtes e nas Academias. Toda e qualquer actividade da intelligencia humana, esthetica, scientifica ou philosophica, exercendo-se em um subjectivismo exclusivo e sem relação com o meio social, cáe na degenerescencia morbida. Quando a Philosophia ficou confinada nos claustros, longe da communicação com a realidade das cousas, ou a objectividade, deu a Scholastica, em que os cerebros especularam sobre entidades nominaes, sem o apoio dos factos scientificos, e sem o intuito de subordinar a uma concepção synthetica os dados do mundo objectivo; reduziu-se a philosophia a uma dialectica palavrosa, a uma argucia sophistica, e por fim a uma futilidade e inutilidade lamentaveis. A renovação philosophica de Bacon e Descartes até Augusto Comte, começou por arrancal-a do isolamento claustral, dando á especulação a complexidade dos elementos objectivos que constituem o mundo physico e moral. Fecundada pelas observações o experiencias physicas, a Philosophia libertava-se de um inane _Ontologismo_; mas as Litteraturas fechadas nas côrtes, e nas escholas e academias, cahiram nas banalidades do _Humanismo_. Por isso mesmo que a especulação intellectual activava o trabalho scientifico do seculo XVII, é que as manifestações estheticas foram prejudicadas. A rasão emancipava-se da auctoridade theologica; a Companhia de Jesus tornou-se o fóco de toda a educação publica, monopolisou o ensino, tomou conta das gerações novas, amoldou-lhes os cerebros, esgotou a rasão humana em cousas inuteis, com o prolongado ensino do latim, da rhetorica, da dialectica e da theologia. Os Jesuitas antepuzeram-se aos Humanistas, e sustentaram o scholasticismo; aonde dominaram como pedagogos não penetrou a sciencia; e as Academias, que se creavam como fócos de actividade mental, nos paizes mais catholicos tornaram-se exclusivamente litterarias, á maneira das Tertulias hespanholas, proseguindo o humanismo das escholas jesuiticas.
Este periodo seiscentista caracterisa-se por um impudente pedantismo, pela falta de senso commum no emprego das metaphoras; dava provas de culto, o que encobria a falta de pensamento em laboriosos hyperbatons, o que primava em sustentar theses ridiculas com gravidade, o que forjava anagrammas propheticos, o que engenhava labyrintos recheados de acrosticos, com versos lipogrammaticos ou chronogrammaticos, com a fórma de columna, de pyramide ou de calix.
Além da educação do automatico humanismo jesuitico, as côrtes, pelas conveniencias do euphuismo, reduziram a idealisação litteraria a uma indignidade pela bajulação obtida pela protecção official; os reis boçaes, a aristocracia frivola, emfim todos os prepotentes eram proclamados Mecenas. Foram numerosissimas as Academias litterarias em Portugal no seculo XVII, taes como a dos _Ambientes_, de 1615, a _Sertoria_, de Evora, de 1630, a dos _Anonymos_, de 1637, a dos _Generosos_, de 1647, a dos _Singulares_, de 1663, a dos _Solitarios de Santarem_, de 1664, e _Conferencias discretas_, de 1696. As bibliothecas estão repletas de manuscriptos d’este periodo litterario. Uma vez separados da naturalidade, não tinha limites a aberração mental; ha nos seiscentistas uma tendencia satyrica, que os absolve, por que protestavam contra o absurdo da moda.
No meio dos desconcertos dos _Culteranistas_ destacam-se pela sua incontestavel superioridade no lyrismo, D. Francisco Manoel de Mello e Francisco Rodrigues Lobo. Conheceram estes dois eminentes poetas as tradições portuguezas; D. Francisco Manoel, que allude a muitos cantos e contos populares, estudou Sá de Miranda e imitou-o nas suas encantadoras Eclogas. A superioridade do lyrismo de Rodrigues Lobo, que estudára Camões, era explicada por Faria e Sousa como consequencia dos plagios feitos ao immortal poeta; é certo que Rodrigues Lobo conheceu as antigas serranilhas, mas as suas Eclogas são principalmente bellas por que se ligam a successos reaes da sua vida desgraçada.
Abundam n’este periodo culteranesco as Epopêas historicas, com o competente tempero da fabula, descripções, narrações e episodios, segundo a norma virgiliana. Na perversão do gosto houve intenções de annullar o poema de Camões, substituindo os _Lusiadas_ pela _Ulyssêa_ do desembargador Gabriel Pereira de Castro. Levantou-se tambem a polemica entre _Tassistas_ e _Camoistas_, chegando-se a recorrer ás delações ao Santo Officio para fazer triumphar o partido que esquecido das tradições nacionaes queria por todos os modos impôr á admiração o poema de Tasso. O que mais impressiona é o facto da revindicação da autonomia nacional, pela revolução de 1640, não despertar a idealisação de tantos poetas épicos que metrificaram a mythologia dos falsos chronicões.
Unificado na Hespanha no ultimo quartel do seculo XVI, Portugal era mais conquistado pelos costumes, pela lingua e pelo theatro, do que pelas leis. Durante todo o seculo XVII deliciamo-nos com as comedias famosas de _capa y espada_, e com a sua fecundidade muitos escriptores portuguezes enriqueceram o reportorio castelhano. As melhores companhias de actores hespanhóes achavam em Portugal asylo e dinheiro. No manuscripto da bibliotheca nacional de Madrid, _Genealogia, origen y noticia de los Comediantes de España_, enumeram-se os que vieram a Portugal. Em todas as festas publicas eram obrigadas as comedias de Lope de Vega; os escriptores dramaticos hespanhóes, como Lope de Vega, Calderon, Tirso de Molina, Alarcon, Montalban, Mira de Mescua, Velez de Guevara e outros menos celebres, dramatisavam a historia portugueza, desde os amores de Inez de Castro até á propria revolução de 1640. Os escriptores portuguezes que adoptaram o estylo da comedia de _capa y espada_ tornaram-se celebres entre os _ingenios_ do theatro hespanhol. Sacudido o jugo politico da Hespanha, entraram em Portugal outras influencias litterarias e artisticas, mas não passaram do meio restricto da côrte.
=3.^o Periodo: Os Árcades (Seculo XVIII):=
Não existia vida nacional no seculo XVIII; a monarchia passára á ostentação do cesarismo, em que a auctoridade adormentava a opinião publica com o deslumbramento da sua sumptuosidade; o rei era senhor de tudo, e nada se emprehendia sem a acção _official_. Os ministros de D. João V foram primeiramente dois jesuitas, e depois o varatojano Frei Gaspar, chefe da seita de illuminados a _Jacobêa_, e o monarcha sinceramente possuido do poder paternal sobre o seu povo entendia servir o bem da nação mandando dizer missas por alma dos seus subditos, e dispendendo a riqueza publica na fundação de estupendas basilicas, como a de Mafra e a Patriarchal, e na compra de indulgencias. O que era o povo, dil-o pittorescamente Beckford nas suas _Cartas_, que nunca vira terra com mais mendigos, mais grotescamente esfrangalhados, com pustulas mais asquerosamente assoalhadas á caridade; e dizia lord Tiralwey, que Portugal se dividia em duas partes, a que suspirava pelo Messias, e a que ainda sonhava com a vinda de D. Sebastião. E comtudo, no seculo das maiores audacias, Portugal iniciou os dois factos capitaes, a suppressão da Companhia de Jesus e a secularisação do ensino; tal era a força da corrente revolucionaria, que a propria monarchia, sob a acção ministerial, cooperava activamente embora inconsciente na dissolução do regimen catholico-feudal.
Os homens que sentiam a necessidade de uma renovação litteraria só achavam possivel o facto intervindo um decreto do rei. A Academia, que segundo os costumes italianos era uma reunião familiar, com musica, poesia e refrescos, recebeu sob o cesarismo uma protecção _official_, que assegurou a sua existencia, para dogmatisar e restaurar. Ignorava-se que a litteratura era um reflexo do estado social e uma expressão do genio nacional; contra a decadencia que estava na ordem das cousas e atrophiava os espiritos, impunham-se os moldes greco-romanos, com a mesma inintelligencia com que o curandeiro ataca o symptoma morbido. Permaneciam as causas, e os mais sinceros esforços ficavam sempre improficuos. Estafou-se inutilmente a _Academia de Historia portugueza_, apezar do poderoso influxo official que a sustentava. Erigiu-se a _Academia dos Anonymos_ de José Freire Montarroyo, mas caíu na glorificação banal de D. João V; os Ericeiras prestaram os seus palacios, e póde-se julgar que sob a influencia critica do _Verdadeiro Methodo de estudar_, de Verney, que analysava o Culteranismo, se organisou a _Academia dos Occultos_, que veiu a servir de nucleo á _Arcadia de Lisboa_. A relação entre estas duas Academias explica-nos a reacção estabelecida contra o anterior elemento seiscentista, representado por Pina e Mello e D. Joaquim Bernardes, e o purismo classico que procurava restabelecer a auctoridade dos Quinhentistas.
=_A Arcadia de Lisboa._=--Foi fundada por homens de alta posição official, principalmente desembargadores que se envergonhavam de ser poetas, como Diniz (_Elpino Nonacriense_) que conservou inéditas as suas composições. Os Estatutos da Arcadia eram tão draconianos, que para ser admittido como socio exigia-se a unanimidade, e para a critica das obras um sigilo absoluto. Floresceu de 1757 até 1774, e representa historicamente o absolutismo do canon classico em boa alliança com o despotismo politico e o intolerantismo religioso. Exercendo-se em dogmatisar, esterilisou-se na indecisão, gastando as suas energias na discussão se deveria admittir na linguagem litteraria o _neologismo_ e o _archaismo_. Desde que os árcades perderam o favor official do omnipotente ministro de D. José, desappareceu a sua actividade, e a academia desagregou-se silenciosamente.
O poeta, como vêmos pelo exemplo de Tolentino--«acabava por fim pedindo esmola;» era uma especie de creado de casa fidalga, que festejava os annos dos titulares e esperava que o brindassem com um fato. Ainda não havia a dignidade do escriptor. O Marquez de Pombal viu na _Arcadia_ uma Companhia com o privilegio ou monopolio das composições metricas, e assim a protegeria; desde que alguns espiritos sympathisaram com as doutrinas pedagogicas do Oratorio, o ministro tirou-lhes o favor official, e aos que suspeitou de fallarem mal do seu governo metteu-os no carcere, como ao Garção que morreu no Limoeiro.
=_Os Dissidentes da Arcadia._=--A verdadeira feição do seculo XVIII na poesia não está no que produziu a _Arcadia_ adstricta á imitação classica; sob a pressão do despotismo houve protestos irreflectidos da natureza, como se observa n’esse phenomeno de perversão mental da poesia erotica. O _molinismo_ dos conventos e a sensualidade do cesarismo patrocinavam este genero litterario, de que foram victimas quasi todos os poetas do seculo XVIII. Esse phenomeno é conhecido em França pelo nome de _Sadismo_.
O _Camões do Rocio_ e o _Lobo da Madragôa_ revelam melhor a depressão moral sob o cesarismo, do que as campanudas odes horacianas. Garção, Tolentino e Filinto Elysio sacrificaram ao gosto erotico; foi a doença do seculo, cuja intensidade se nota na quantidade de nomes que cultivaram o genero, taes como Domingos Monteiro de Albuquerque, Pedro José Constancio, Fr. José Botelho Torrezão, o Abbade de Jazende, o P.^e José Agostinho de Macedo, Bocage, Pimentel Maldonado e outros.
Na constituição da _Arcadia de Lisboa_ alguns poetas afamados do tempo não foram convidados, e outros mais tarde não foram admittidos por causa do seu genio satyrico. N’este caso apparecem Nicoláo Tolentino, que metrificava irreprehensivelmente, e Francisco Manoel do Nascimento (_Filinto_) que com outros poetas constituiu o _Grupo da Ribeira das Náos_. Cruzou-se por vezes o tiroteio das satyras, acirrando-se uns e outros, a ponto de ser conhecido o seu principal conflicto pela designação da _Guerra dos Poetas_, a proposito da cantora Zamperini.
Havia no seculo XVIII um costume em que a poesia se tornava um elemento das festas; chamava-se-lhe _Outeiro poetico_, em que se versejava nas eleições dos abbadeçados. Seria ainda uma apagada reminiscencia das _Côrtes de Amor_. Tolentino pinta com traços pittorescos este costume, que formava reputações.[209]
A reacção da côrte de D. Maria I contra as reformas pombalinas, lançou a nação na violencia do _intolerantismo_; fizeram-se perseguições systematicas aos homens intelligentes, como ao mathematico e poeta José Anastacio da Cunha, a Felix de Avelar Brotero, a Filinto Elisio, a José Corrêa da Serra, e por ultimo até ao poeta Bocage, por causa do seu espirito encyclopedista. Assim se cahiu n’esse gráo de cretinisação, que fazia dizer ao P.^e Theodoro de Almeida, ao inaugurar a _Academia das Sciencias_ em 1779: «Que admirados ficareis, senhores, se soubesseis quam vil é o conceito que mesmo os estrangeiros fazem injustamente de nós. Quando lá fóra apparece casualmente algum portuguez de engenho mediocre, admirados se espantam como de phenomeno raro. E como assim? (dizem) de Portugal? do centro da ignorancia!--Assim o cheguei a ouvir.» No seculo XVIII a Europa confundia a situação mental dos portuguezes com a crassa estupidez dos seus governantes, como hoje nos identificam com o descaro da sua insolvencia. A _Academia das Sciencias_ foi um fóco de luz que o duque de Lafões e José Corrêa da Serra, auxiliados por Vandelli e o visconde de Barbacena, projectaram n’este prolongamento da Edade media em Portugal.
=_A nova Arcadia._=--A influencia franceza, que se contrabalançava com a auctoridade dos Quinhentistas na primeira _Arcadia_, depois da sua dissolução é que adquiriu uma completa preponderancia. A litteratura franceza era o orgão da propaganda philosophica e politica que convulsionavam a Europa. A _Nova Arcadia_ ou Academia de Bellas-Lettras foi fundada pelo mulato brazileiro o P.^e Caldas (_Lereno Selinuntino_) no palacio do Conde de Pombeiro. No meio das grandes commoções politicas da Europa com o apparecimento dos principios de 1789, a _Nova Arcadia_ fechou-se no seu remanso pastoral, alheia a todas as reclamações humanas.
No meio d’este insulso idyllio, rebentou o conflicto turbulento do genio de Bocage, que reagia contra a mediocridade geral vibrando satyras immortaes. A sua adhesão aos principios da Revolução franceza levou-o aos carceres da Policia, então mais terriveis do que os da Inquisição, para a qual appellou, para escapar. Póde-se dizer que o meio social amesquinhou este genio, que apezar da imbecilidade geral soube sentir a superioridade de Camões.
O lyrismo portuguez teve uma fugaz renovação, pelo favor que no gosto do tempo encontraram as _Modinhas brazileiras_, tão celebradas por lord Beckford, consideradas como o elemento generativo da musica portugueza por Strafford, e sendo na realidade uma persistencia tradicional das antigas serranilhas gallezianas. As Lyras da _Marilia de Dirceu_, de Gonzaga, são o que ha de mais bello no lyrismo da ultima metade do seculo XVIII. A superioridade litteraria revelava-se entre os escriptores do Brazil, que pelo influxo da Revolução franceza serviam a causa da emancipação d’esta explorada colonia, que aspirava á legitima autonomia de nacionalidade. A _Nova Arcadia_ dissolveu-se depois do conflicto de Bocage, depois de ter accumulado Odes, Sonetos, Epistolas, Elogios dramaticos. Durante a segunda metade do seculo XVIII vivemos entregues a todas as tropelias da rasão de estado, sob a vigilancia feroz do Intendente Manique, sob a suspeição das _ideias francezas_ e apavorados pelo intolerantismo religioso. A censura litteraria e a policia nas alfandegas, não deixavam entrar em Portugal os livros suspeitos, e as obras dos Encyclopedistas eram queimadas na praça publica pela mão do carrasco.
A nação soffreu os tremendos desastres provocados pela inconsciencia politica; depois da invasão napoleonica e do não menos terrivel protectorado da Inglaterra, houve um momento em que a nação manifestou vida propria, na revolução de 1820, em que no meio das grandes catastrophes reassumiu a sua soberania, proclamada como fonte do poder na Constituição de 1822. Com esta data gloriosa da liberdade portugueza, começa simultanea com a renovação social uma nova e fecunda phase na litteratura.
Na Europa passava-se a renovação litteraria do _Romantismo_, agitando a França, a Italia, a Inglaterra e a Hespanha; em Portugal continuavamos estacionarios na admiração dos classicos, como a colonia romana longinqua que ainda continuava a veneração do Imperador já destituido. Um accidente desgraçado, a restauração do absolutismo bragantino, provocando a emigração de 1823, é que levou os nossos innovadores a descobrirem a relação entre as litteraturas e as aspirações da sociedade.
=_A baixa Comedia._=--Com as comedias hespanholas de _capa y espada_ e as italianas de _imbroglio_, fez-se um amalgama sem intenção, nem responsabilidade litteraria para acudir á exploração dos theatros do Salitre e do Bairro Alto. Tal era a _baixa comedia_, em que se fundiam elementos das obras de Lope de Vega, Molière e Goldoni. Eram geralmente em verso octosyllabo assonantado, e constituem um vasto reportorio avulso, chamado _Comedias de cordel_. Esta creação correspondia ao estado dos espiritos, quasi idiotico, a que os levára a inquisição e o cesarismo; a sua publicação tornára-se uma industria dos cegos, ligados entre si em uma Confraria do Menino Jesus, que tinha o privilegio exclusivo da sua exploração. Na _baixa comedia_ não se encontra um protesto contra o aviltamento geral, mas abundam as graçolas equivocas, os esgares de quem quer reagir contra o terror. Distinguiram-se no genero Antonio José da Silva, alcunhado o _Judeu_, e Nicoláo Luiz. Contra o gosto popular que applaudia as _Operas do Judeu_ reagiu o árcade Garção. Filinto appellava para a tradição dramatica nacional: «Lêam a opera dos _Encantos de Circe_, eruditissimo parto de um engenho judaico. Houve editor que modernamente deu á luz esse non plus ultra do genero dramatico; e _Gil Vicente_, e _Prestes_ e outros classicos ficaram para sempre no cadoz! Oh vergonha! oh ingrata incuria!» Pela sua parte, o árcade Manoel de Figueiredo reagiu contra Nicoláo Luiz, querendo dar ao theatro bases philosophicas; faltava-lhe porém o talento, não obstante a sua clara comprehensão do problema.
O que era o theatro póde avaliar-se pela situação dos actores; o Intendente da Policia, Pina Manique, nas _Contas para as Secretarias_ traz curiosas noticias, que derramam uma immensa luz na historia do theatro no seculo XVIII; lê-se na Conta, de 30 de setembro de 1792: «Os comicos e os Emprezarios, que de ordinario são os mais infimos, e que para os conter e conservar a boa ordem e policia do theatro é necessario a força, sem a qual nada se póde fazer, por que é uma gente sem melindre ou caprixo, e são susceptiveis de tudo aquillo que é máo para o adoptarem, ou seja contra os bons costumes, ou contra a honra, o ponto é que elles tenham interesse. Além de que não cumprem o que devem para satisfazer ao publico, e muitas vezes é preciso contel-os para não enxerirem algumas palavras menos decentes, que não vêm na peça que executam; etc.» (Liv. III, fl. 264 a 267.) O Intendente era a favor das representações, por que oppondo-se á entrada em Portugal das _ideias francezas_, considerava o theatro um elemento indispensavel para conservar os cidadãos longe do conhecimento dos successos da Europa, e sem logar para discutirem sobre os negocios publicos. A _baixa comedia_ foi um instrumento do cesarismo. Durou esta fórma dramatica até ao tempo de Garrett, e algumas das principaes peças d’esta eschola ainda sobrevivem na scena, como o _Manoel Mendes Enxundia_, de Ferreira de Azevedo, o _Doutor Sovina_ e o _Zanguizarra_. Nunca uma litteratura foi mais completa na revelação do estado decadente de uma nacionalidade. A _Arcadia_, querendo restaurar o theatro, traduziu e imitou os tragicos da época de Luiz XIV, segundo a sua fé monarchica; mas com a corrente revolucionaria lêram-se e representaram-se as tragedias philosophicas de Voltaire, que persistiram até á geração de 1820.
NOTAS DE RODAPÉ:
[206] No fragmento da _Poetica provençal_ que vem no Cancioneiro Colocci-Brancuti, cita-se no cap. IX este genero de seguidilha, em que se intercalam versos de outrem: «som em prazer ou em _ledo_.» Têm quasi sempre o estribilho: _Leda vou eu_, etc.
[207] _Historia de la Literatura española_, t. I, p. 11.
[208] No _Catalogo_, de Barrera y Leyrado, p. 534, cita-se esta ultima: «Manuscripto sin año, de principios del siglo XVI, en la Libreria de señor Duran.»
[209]
Fôra cem vezes em nocturno _Outeiro_ Da sabia Padaria apadrinhado; E dizem que glosava por dinheiro... Rompi _Outeiros_ em Sant’Anna e Chellas, Chamei sol á Prelada, e ás mais estrellas.
TERCEIRA ÉPOCA
(SECULO XIX)
Revivescencia das Tradições nacionaes pela idealisação da Edade media, e comprehensão do elemento classico pela solidariedade historica
Á proclamação da liberdade de consciencia no seculo XVI, pela _Reforma_, corresponde essa outra emancipação do dogmatismo na arte, pelo _Romantismo_, com o qual a Allemanha no começo do seculo XIX propagou o principio da espontaneidade do sentimento. Em ambas as revoluções, religiosa e esthetica, existiu uma base commum: o regresso á tradição, quer a da Egreja primitiva, quer a das origens nacionaes. A Allemanha chegou a este resultado fundamental pelo trabalho erudito da descoberta das tradições germanicas, e pela renovação philosophica exercida na critica da Arte, suscitada práticamente pela necessidade de estimular o espirito da nação contra as desvairadas devastações napoleonicas. O influxo da Allemanha na transformação do _Romantismo_ foi universalisado por M.^{me} de Staël; em Portugal tambem uma mulher teve essa sympathica iniciativa. Herculano confessou dever á marqueza de Alorna a direcção dos seus primeiros passos na Litteratura: «Como madame de Staël, ella fazia voltar a imaginação da mocidade para a Allemanha, a qual veiu dar nova seiva á arte meridional, que vegetava na imitação servil das chamadas letras classicas...»
De facto a renovação do _Romantismo_ correspondia a uma transformação social da Europa moderna pelo influxo dos principios da Revolução franceza; e se a nova eschola triumphou foi por que se encontrou em um novo meio social. As monarchias absolutas reagiam contra o direito das Constituições ou codigos da soberania nacional, e pretendiam restaurar o antigo e decahido regimen, ou pelo menos falsificar esse direito pela _outorga_ ou concessão de Cartas constitucionaes. Aquelles que combatiam pela liberdade politica e civil, tanto na Italia e França, como em Hespanha e Portugal, abraçaram por instincto a nova concepção das Litteraturas, da mesma fórma que os trovadores provençaes tinham sido os proclamadores da independencia municipal, e os humanistas da Renascença os propugnadores do livre-exame.
=_Os chefes do Romantismo._=--Os principaes promotores da renovação do Romantismo em Portugal foram dois emigrados liberaes, Almeida Garrett, que em 1823 fugira para França ante a restauração do absolutismo de D. João VI, que prejurára a Constituição de 1822, e Alexandre Herculano, que em 1831 fugira para Inglaterra ás forcas de Dom Miguel, que tambem prejurára a Carta constitucional de 1826. Garrett no seu regresso d’estas duas emigrações procurou descobrir o veio da tradição nacional, lançando as bases do _Romanceiro portuguez_; no poema _Camões_ comprehendeu a mais alta expressão do genio nacional; na _D. Branca_, no _Alfageme de Santarem_, no _Arco de Sant’Anna_, universalisou no poema, no drama, no romance historico as bellas lendas antigas, que estavam dispersas e desconhecidas nas chronicas monachaes e monarchicas.
A acção exclusiva de Garrett na fundação do theatro portuguez manifesta-se na extraordinaria intuição do artista que comprehendeu o alcance da transformação da sociedade burgueza, para a qual o theatro era uma fórma tambem de liberdade. Teve o raro tino nas suas obras de inspirar-se nos conflictos do meio social, como se observa com a tragedia _Catão_, ligada ás aspirações liberaes de 1820; com o _Camões_, idealisado nos desalentos do desterro; com o _Arco de Sant’Anna_, vivificado pela resistencia do cêrco do Porto; com o _Alfageme de Santarem_, exprimindo a necessidade de recorrer á revolta, na crise terrivel do cabralismo em 1842.
Com a iniciação pois da liberdade constitucional appareceu uma vaga comprehensão do valor dos elementos tradicionaes como a base das litteraturas; com esta intuição pôde Garrett levantar o theatro portuguez. O drama _Frei Luiz de Sousa_ hade ser sempre uma obra prima em todas as litteraturas modernas. A acção de Garrett ficou isolada por falta de uma geração intelligente; o theatro continuou reduzido a uma macaqueação dos dramas ultra-romanticos, por que surgiram as ambições politicas de um absolutismo mascarado em constitucionalismo, que perverteram e esgotaram todas as capacidades, que para engrandecimento pessoal se prestaram á hypocrisia liberal com que illudiram a nação. Ainda hoje a litteratura dramatica se acha na mesma esterilidade e mesquinhez em que a deixou a morte de Garrett; traduzem-se dramas pelo mesmo espirito com que na representação parlamentar se traduzem relatorios e leis.
Tambem com os desalentos da emigração e diante das situações reaes e sublimes do cêrco do Porto, soube Alexandre Herculano inspirar-se; na _Harpa do Crente_ a sua poesia é viva. Comprehendendo a Edade media através dos romances de Walter Scott, fez romances historicos de segunda mão, cahindo por vezes n’esse mesmo ultra-romantismo que condemnára nos pareceres do _Jornal do Conservatorio_. A falta de uma concepção synthetica levou-o para o campo da historia critica, na doce esperança de exercer sobre Garrett essa influencia fecundante de Herder sobre Goëthe e de Thierry sobre Victor Hugo. Não foi secundado nos estudos historicos, e por isso a concepção da Edade media ficou em mera exterioridade que suscitou um impertinente prurido de banalidades no lyrismo, no theatro e no romance.
=_Os ultra-romanticos._=--A primeira phase do _Romantismo_ consistiu em todas as litteraturas em renovar com mais ou menos intelligencia as tradições nacionaes. Como as modernas nacionalidades provinham das transformações sociaes da Edade media, nas instituições, linguas, crenças, costumes e mesmo em quanto ás fórmas litterarias e artisticas, caíu-se insensivelmente na admiração exclusiva d’essa época profundamente poetica, e facil foi ás mediocridades o apossarem-se dos caracteres exteriores da vida medieval; repintando castellos, pontes levadiças, juras tremendas á meia noite, reprezalias de barões feudaes, ou pelo lado religioso despedidas de trovadores-cruzados para a Terra santa, apaixonados amantes cobrindo o seu fogo com as cinzas da penitencia claustral, tudo isto recortado como se fosse de cartão, dava uma litteratura romantica de soláos e xácaras, romances historicos e dramalhões tetricos. A esta inintelligencia de uma concepção fundamental, que caíu no exagero do processo, chamou-se o _Ultra-Romantismo_. Em quanto a Edade media era scientificamente estudada em todos os seus aspectos, os litteratos continuavam a explorar a nova rhetorica da emphase romantica, que se tornava tão inexpressiva como a rhetorica classica. Os talentos verdadeiros reagiram contra esta dissolução, procurando inspirar-se da realidade, da verdade do natural; mas n’este esforço rasoavel, excederam-se sacrificando o elemento ideal ou a representação subjectiva á reproducção ou descripção exacta do dado objectivo.
=_Dissolução do Romantismo: Eschola de Coimbra._=--Causas immanentes ao nosso meio social mantiveram o gosto do _Romantismo_ em Portugal, quando elle estava já em dissolução por toda a Europa. As necessidades do jornalismo da pedantocracia monarchico-representativa absorveram todos os talentos e vocações litterarias, que se esgotaram n’essas paixões e ambições, abandonando o estudo pela espectativa de uma pasta ministerial. A nação querendo revindicar a sua liberdade foi violentamente abafada por uma _intervenção armada_ da Inglaterra e Hespanha, a reclamo de D. Maria II, para subjugar a revolução contra a oligarchia dos seus ministerios de resistencia. Edgar Quinet comprehendeu o alcance de tal attentado; tendo apreciado o esplendor da primeira iniciação romantica, vaticinou o paroxismo da nação, da sua vida intellectual e moral sob esta traição da realeza. A nação vergada brutalmente ao _statu quo_ caíu na inconsciencia. Abafada toda a aspiração da liberdade, os talentos novos puzeram-se do lado do paço contra a nação, como Mendes Leal e Rebello da Silva; n’este interregno do espirito creador e original, ergueu-se Castilho, reduzindo a elaboração litteraria a traducções dos poetas latinos, e á cultura do estylo, independente das ideias. Mas peior do que isto, foi ainda a perversão do _elogio mutuo_, que favorecia o imperio das mediocridades e a aversão por toda a ideia ou innovação esthetica.
Tinha de dar-se a dissolução d’este ultra-romantismo extemporaneo; irrompeu em 1865 de um modo tempestuoso, dando logar á longa polemica da chamada _Questão coimbrã_, analoga ao que na Allemanha se passára com o _Sturm und Drang_. Proclamava-se a alliança da poesia e da philosophia, inspirando-se do sentimento da solidariedade humana, dando fórma ao ideal da Humanidade.
A poesia abandonada ao subjectivismo metaphysico, ia fatalmente cahir no romantismo mystico ou em um _pessimismo_ doentio; carecia-se de uma disciplina critica. Pelos processos novos da critica comparativa applicados á historia politica e litteraria, á philologia, aos costumes ou ethnologia, ás tradições, é que Portugal se relacionou com o movimento intellectual e social da Europa. Com todos estes elementos novos da actividade mental, havia a necessidade de evitar a tendencia da _especialisação_, que amesquinha as intelligencias, ou a _dispersão_ incoherente de estudos, que leva á banalidade acobertada com o verniz do estylo; essa somma de elementos novos fez reconhecer a necessidade de uma disciplina _philosophica_. Assim a Philosophia positiva veiu em um momento opportuno demarcar uma nova orientação na mentalidade portugueza, mostrando como terminada a revolução todos os esforços deviam convergir para activar o advento a uma edade de normalidade.
Os povos do occidente da Europa constituem uma grande confederação natural, uma mesma familia moral; a Italia, a Hespanha e Portugal reconhecem espontaneamente a França como o centro da hegemonia da civilisação latina. Separados politicamente por odios dynasticos, em que a Italia foi invadida pela Hespanha e pela França; em que pelos exercitos napoleonicos invadiu a Hespanha e Portugal a mesma França, que sob a Santa Alliança tornou a invadir a Hespanha sob a bandeira absolutista, estes paizes, á medida que se aproximam da comprehensão da democracia, vão reconhecendo que esses odios provinham do egoismo dos interesses monarchicos, que deram em resultado a decadencia da Civilisação occidental. A sciencia estudando a similaridade do grupo das linguas novo-latinas e comparando a evolução das Litteraturas romanicas ou meridionaes, reconstrue a unidade ethnica e moral dos estados do Occidente; e em quanto a democracia não funda em bases juridicas de federação esta solidariedade historica da França, Italia, Hespanha e Portugal, é indispensavel que essa conclusão scientifica se generalise na fórma de sentimento.
Pelo exame da marcha da historia moderna da Europa desde o seculo XII até ao seculo XIX, vê-se que a esse longo processo de dissolução do regimen catholico-feudal corresponde um trabalho reconstructivo. De Maistre, que tanto trabalhára para sustentar o regimen da Edade media, proclamava o facto evidente: «Tudo indica que caminhamos para uma nova Synthese.» Para elle, essa synthese seria uma reorganisação do christianismo para abranger a sociedade e a consciencia modernas que lhe fugiam; mas, os espiritos que seguiram o trabalho reconstructivo da rasão pela descoberta das verdades positivas das Sciencias experimentaes e pelo estabelecimento da liberdade civil, tambem proclamaram o advento da nova Synthese, como Comte, terminando a acção social das ficções theologicas e metaphysicas substituidas pela noção da solidariedade humana.
Eis pois determinado o _sentimento_ fundamental que deve inspirar todos os themas estheticos. Por falta d’este sentimento universal e decisivo, é que na longa crise da dissolução do regimen catholico-feudal as Litteraturas fluctuaram na sua idealisação, imitando e parodiando sem intuito social; uma vez determinado, a missão do sentimento é chegar á synthese a que as luctas mental e social ainda não souberam dar fórma. Todo o systema das Bellas-Artes é chamado a cooperar n’esta missão para a qual foram impotentes os politicos, os sabios e os philosophos. É verdadeiramente assombrosa a percepção de Wagner, quando tendo analysado a anarchia da arte, formúla o grande destino da funcção esthetica: «Aonde outr’ora o artista desesperou, ahi começaram a politica e a philosophia; ahi, aonde hoje em dia a politica e a philosophia desesperam, é ahi que começa o artista.»[210] Todo o vasto corpo da Historia litteraria de Portugal que temos coordenado é a narrativa d’esses antecedentes do sentimento esthetico, que, pela comparação com as outras Litteraturas romanicas e relação com o meio social nos conduzem a uma clara deducção da Philosophia da Litteratura.
FIM
NOTAS DE RODAPÉ:
[210] Maravilha a concordancia do genio philosophico de Comte com a intuição artistica de Wagner; tudo nos confirma o valor e segurança da sua direcção mental.
NOTA BIBLIOGRAPHICA
Quem confrontar o presente livro com o que foi publicado em 1870 com o titulo de _Introducção á Historia da Litteratura portugueza_, poucas paginas encontrará semelhantes; pouco ou quasi nada aproveitámos da fórma da sua redacção, que era vacilante por falta de nitidez da ideia fundamental, mas reproduzimos sempre os factos, embora deslocados ou mal interpretados.
Vinte e cinco annos de estudo sobre a Historia da Litteratura portugueza impõem a obrigação de estar ao corrente dos problemas indispensaveis para a comprehensão d’esta litteratura. Tendo de proceder a uma edição integral d’esta obra, não me podia contentar com esse primeiro e imperfeito esboço. Tambem não devia atiral-o fóra por inutil e aleijado; submetti-o a uma revisão minuciosa, reconhecendo--quanto é mais facil emendar do que crear de novo,--circumstancia que tornará perdoaveis os meus antigos erros.
Eis as modificações a que submettemos o nosso primitivo trabalho:
O § I--_Das raças e suas creações artisticas_, foi completamente refundido com factos importantes de todas as litteraturas romanicas e segundo os resultados da Anthropologia.
§ II--_Genio dos Mosarabes em Portugal_; tanto este capitulo como o anterior tornaram-se parte da secção dos elementos staticos da Litteratura, em que ha uma melhor coordenação de materiaes.
§ III--_Epopêas da Edade media em Portugal_; estava desconnexo, e ficou distribuido mais ordenadamente na secção dos elementos dynamicos da Litteratura, em que a Edade media apparece sob a hegemonia da França.
§ IV--_Primeiras Bibliothecas portuguezas_; foi eliminado este capitulo, por que está largamente desenvolvido e melhorado na Historia da Universidade de Coimbra, vol. I, p. 191 a 245.
§ V--_A Renascença_; foi encorporado e desenvolvido nos elementos dynamicos da Litteratura, descrevendo a hegemonia da Italia.
§ VI e VII--_Academias litterarias_--_Origens da Poesia moderna_; ficaram reunidos nos elementos dynamicos da Litteratura, na descripção da hegemonia da Hespanha, da Inglaterra e da Allemanha, com os necessarios retoques e desenvolvimentos.
A terceira parte d’este livro, _Épocas historicas da Litteratura portugueza_, contém o volume publicado em 1872 e reproduzido em 1881 com o titulo _Theoria da Historia da Litteratura portugueza_; foram cortadas todas as repetições e distribuidos os factos por fórma a caracterisar cada época litteraria, e a mostrar o traçado da grande obra em livros independentes e completos em si.
INDICE
INTRODUCÇÃO Á HISTORIA DA LITTERATURA PORTUGUEZA
PAG.
PROLOGO v
ANTELOQUIO 1
I. _Elementos staticos da Litteratura_ 7
§ 1.--=A Raça e o Meio= 10
§ 2.--=A Tradição e os Costumes= 62
_a_) Das fórmas lyricas 70
_b_) Das fórmas épicas 83 --Do elemento iberico 86 --Do elemento germanico 90 --Transformação erudita do Romance popular 97
_c_) Das fórmas dramaticas 100
§ 3.--=A Linguagem oral e escripta= 126
§ 4.--=Patria e Nacionalidade= 161
II. _Elementos dynamicos da Litteratura_ 174
§ 1.--=A Edade media= (Hegemonia da França) 177
_a_) Influencia gallo-romana (_Lyrismo_ _trobadoresco_) 191
_b_) Influencia gallo-franka (_Gestas e Epopêas_ _medievaes_) 203
_c_) Influencia gallo-bretã (_Poemas e Novellas_ _da Tavola Redonda_) 216
_d_) A cultura latino-ecclesiastica e humanista 247
§ 2.--=A Renascença= (Hegemonia da Italia) 263
_a_) O Humanismo quinhentista 272
I. Antagonismo dos dois elementos classico e medieval 281
_a_) O Lyrismo petrarchista 288
_b_) A Epopêa classica 292
_c_) A Comedia e a Tragedia classicas 299
II. Sympathia pela Edade media na Eschola da Medida velha 302
_a_) Os Poetas da Medida velha 304
_b_) Romances e Novellas de Cavalleria 307
_c_) Os Autos hieraticos 313
_b_) O Culteranismo seiscentista (Hegemonia da Hespanha) 316
_c_) O Arcadismo e a reacção proto-Romantica (Hegemonia da Inglaterra) 332
§ 3.--=O Romantismo= (Hegemonia da Allemanha) 348
_a_) Rehabilitação da Edade media 354
_b_) O Ultra-Romantismo 358
_c_) Disciplina critica e philosophica 366
III. _Epocas historicas da Litteratura portugueza_ 373
PRIMEIRA ÉPOCA
(SECULOS XII A XV)
_Preponderancia dos elementos tradicionaes e estheticos da Edade media, e começo de transição para o estudo da Antiguidade classica_
=1.^o Periodo= (=Seculos XII a XIV=):
Trovadores portuguezes 374
Novellas de Cavalleria:--O Amadis de Gaula 380
=2.^o Periodo= (=Seculo XV=):
Os Poetas palacianos 384
Os Historiadores portuguezes 389
SEGUNDA ÉPOCA
(SECULOS XVI A XVIII)
_Predominio da imitação da Antiguidade classica, e abandono das Tradições nacionaes_
=1.^o Periodo: Os Quinhentistas= (=Seculo XVI=):
Novellas de Cavalleria e Pastoraes 393
Gil Vicente e as origens do Theatro nacional 396