Chapter 102 of 141 · 220 words · ~1 min read

I.

Gigante orgulhoso, de fero semblante, N’um leito de pedra lá jaz a dormir! Em duro granito repousa o gigante, Que os raios sómente podérão fundir.

Dormido atalaia no serro empinado Devera cuidoso, sanhudo velar; O raio passando o deixou fulminado, E á aurora, que surge, não ha de acordar!

Co’os braços no peito cruzados nervosos, Mais alto que as nuvens, os céos a encarar, Seu corpo se estende por montes fragosos, Seus pés sobranceiros se elevão do mar!

De lavas ardentes seus membros fundidos Avultão immensos: só Deos poderá Rebelde lançal-o dos montes erguidos, Curvados ao peso, que sobre lhe ’stá.

E o céo, e as estrellas e os astros fulgentes São velas, são tochas, são vivos brandões, E o branco sudario são nevoas algentes, E o crepe, que o cobre, são negros bulcões.

Da noite, que surge, no manto fagueiro Quiz Deos que se erguesse, de junto a seos pés, A cruz sempre viva do sul no cruzeiro, Deitada nos braços do eterno Moysés.

Perfumão-no odores que as flores exhalão, Bafejão-no carmes de um hymno de amor Dos homens, dos brutos, das nuvens que estalão, Dos ventos que rugem, do mar em furor.

E lá na montanha, deitado dormido Campeia o gigante,--nem póde acordar! Cruzados os braços de ferro fundido, A fronte nas nuvens, os pés sobre o mar!