II.
Em fundos vasos d’alvacenta argilla Ferve o cauim; Enchem-se as copas, o prazer começa, Reina o festim.
O prisioneiro, cuja morte anceião, Sentado está, O prisioneiro, que outro sol no occaso Jámais verá!
A dura corda, que lhe enlaça o collo, Mostra-lhe o fim Da vida escura, que será mais breve Do que o festim!
Com tudo os olhos d’ignobil pranto Seccos estão; Mudos os labios não descerrão queixas Do coração.
Mas um martyrio, que encobrir não póde, Em rugas faz A mentirosa placidez do rosto Na fronte audaz!
Que tens, guerreiro? Que temor te assalta No passo horrendo? Honra das tabas que nascer te virão, Folga morrendo.
Folga morrendo; porque além dos Andes Revive o forte, Que soube ufano contrastar os medos Da fria morte.
Rasteira grama, exposta ao sol, á chuva, Lá murcha e pende: Sómente ao tronco, que devassa os ares, O raio offende!
Que foi? Tupan mandou que elle cahisse, Como viveu; E o caçador que o avistou prostrado Esmoreceu!
Que temes, ó guerreiro? Além dos Andes Revive o forte, Que soube ufano contrastar os medos Da fria morte.