Chapter 78 of 141 · 967 words · ~5 min read

XXV.

«Este o conto que os Indios contavão, «A deshoras, na triste senzalla; «Outros homens alli descançavão, «Negra pel’; mas escravos tão bem. «Não choravão; somente na falla «Era um quê da tristeza que mora «Dentro d’alma do homem que chora «O passado e o presente que tem!»

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HYMNOS.

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A LUA.

Figlia del ciel, sei bella! Ma verrà notte ancor, che tu, tu stessa Cadrai per sempre, e lascierai nel cielo Il tuo azzurro sentier! CESAROTTI.

Salve, ó Lua candida, Que traz dos altos montes Erguendo a fronte pallida, Dos negros horisontes As sombras melancolicas Vens ora afugentar! Salve, ó astro fulgido, Que brilhas docemente, Melhor que o lume tremulo D’estrella inquieta, ardente, Melhor que o brilho esplendido Do sol ferindo o mar!

Salve, ó reflexo tenue Da eterna luz preclara Nas nossas noites horridas; Qual sol que em lympha clara Desponta os raios vividos, Em tarja multicor; Es como a virgem púdica, Que amor no peito encerra; Mas só, mas solitaria, Vagando aqui na terra, Treplíca o sello mystico Do não sabido amor!

Eu te amo, ó Lua candida, No gyro somnolento, E o teo cortejo madido De estrellas, e do vento O sopro merencorio, Que á noite dá frescor. Por teos influxos magicos Minha alma aos sons do canto Revive; e os olhos humidos Gotejão triste pranto, Que orvalha a chaga tepido, Que mingua a antiga dôr!

Em gelido sudario De neve alvi-nitente, Por terras vi longinquas, Durante a noite algente, A tua luz benfica Luzir meiga do céo. Nos mares solitarios Tão bem a vi!--nas vagas Brincava o lume argenteo, Cantava o nauta as magas Canções, no voluntario, Cançado exilio seo!

Tão bem a vi na limpida Corrente vagarosa; Tão bem nas densas arvores De selva magestosa, Coando os raios lubricos No lobrego palmar. E eu só e melancolico Sentado ao pé da veia, Que a deslisar-se timida Beijava a branca areia; Ou já na sombra tetrica Da mata secular;

Em devaneio placido Velava, em quanto via Ao longe--os altos pincaros Da negra serrania, --Disformes atalaias, Que sempre alli serão! No rórido silencio Minha alma se exaltava; E das visões phantasticas, Que a lua desenhava, Seguia os traços aureos, Tremendo em negro chão!

Pensava ledo, improvido, Até que de repente Da minha vida misera Se me antolhava á mente A quadra breve e rapida Do malfadado amor. Então fugia attonito O bosque, a selva, a fonte, E as sombras, e o silencio; Bem como o cervo insonte, Que ás setas foge pavido Do fero caçador!

Salve, ó astro fulgido, Que brilhas docemente, Melhor que o lume tremulo D’estrella inquieta, ardente, Melhor que o brilho esplendido Do sol ferindo o mar. Eu te amo, ó Lua pallida, Vagando em noite bella, Rompendo as nuvens turbidas Da rispida procella; Eu te amo até nas lagrimas Que faces derramar.

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A NOITE.

Noite, melhor que o dia, quem não te ama! Quem não vive mais brando em teo regaço! FILINTO.

Eu amo a noite solitaria e muda, Quando no vasto céo fitando os olhos, Alem do escuro, que lhe tinge a face, Alcanço deslumbrado Milhões de sóes a divagar no espaço, Como em salas de esplendido banquete Mil tochas aromaticas ardendo Entre nuvens d’incenso!

Eu amo a noite taciturna e quêda! Amo a doce mudez que ella derrama, E a fresca aragem pelas densas folhas Do bosque murmurando: Então, máo grado o véo que involve a terra, A vista do que vela enxerga mundos, E apezar do silencio, o ouvido escuta Notas de ethereas harpas.

Eu amo a noite taciturna e quêda! Então parece que da vida as fontes Mais faceis correm, mais sonoras soão, Mais fundas se abrem; Então parece que mais pura a brisa Corre,--que então mais funda e leve a fonte Mana,--e que os sons então mais doce e triste Da musica se espargem.

O peito aspira sofrego ar de vida, Que da terra não é; qual flôr nocturna, Que bebe orvalho, elle se embebe e ensopa Em extasis de amor: Mais direitas então, mais puras devem, Calada a natureza, a terra e os homens, Subir as orações aos pés do Eterno Para afagar-lhe o throno!

Assim é que no templo magestoso Rebôa pela nave o som mais alto, Quando o sacro instrumento quebra a augusta Mudez do sanctuario: Assim é que o incenso mais direito Se eleva na capella que o resguarda, E na chave da abobada topando, Como um docel, se expraia.

Eu amo a noite solitaria e muda; Como formosa dona em regios paços, Trajando ao mesmo tempo luto e galas Magestosa e sentida; Se no dó attentais, de que se enluta, Certo sentis pezar de a ver tão triste; Se o rosto lhe fitais, sentis deleite De a ver tão bella e grave!

Considerai porêm o nobre aspecto, E o pórte, e o garbo senhoril e altivo, E as fallas poucas, e o olhar sob’rano, E a fronte levantada: No silencio que a véste, adorna e honra, Conhecendo por fim quanto ella é grande, Com voz humilde a saudareis rainha, Curvado e respeitoso.

Eu amo a noite solitaria e muda, Quando, bem como em salas de banquete Mil tochas aromaticas ardendo, Girão fúlgidos astros! Eu amo o leve odor que ella diffunde, E o rorante frescor cahindo em per’las, E a magica mudez que tanto falla, E as sombras transparentes!

Oh! quando sobre a terra ella se estende, Como em praia arenosa mansa vaga; Ou quando, como a flôr d’entre o seo musgo, A aurora desabrocha; Mais forte e pura a voz humana sôa, E mais se accórda ao hymno harmonioso, Que a natureza sem cessar repete, E Deos gostoso escuta.

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A TEMPESTADE.

Fervescere faciet, quasi ollam, profundum mare. JOB 41, 42.