Chapter 122 of 141 · 179 words · ~1 min read

II.

Não ouviste, ó bello anginho, Na hora do passamento Para abrandar teu tormento Do berço teu ao redor, Dos teus irmãos a phalange Com opas de luz brilhante, Nas harpas de diamante Cantar hosanna ao Senhor?

Teu espirito innocente, Tocado da luz divina, Que a fraca mente illumina Dos resplendores de Deos, Não antevio outros gozos, Não correu nos frouxos ares, Não foi roçar nos palmares, Nas rosas puras dos céos?

Viste-os, sim; porêm voltando Outra vez á vida escassa, Tua alma triste esvoaça Sobre os teus restos mortaes; E entre os rostos que divisas, Que a tua vida pranteião, Entre quantos te rodeião, Tu não enchergas teus paes!

Corres então a trazer-lhes Nas meigas azas brilhantes Dos teus ultimos instantes O teu alento final; E em redor delles choraste De não ter deixado a vida, Por extrema despedida, N’um amplexo paternal!

Vai, ó anjo, sobe, vôa, Deixa a terra ingrata e rude; Vai onde móra a virtude, E premio a innocencia tem; Mas nos divinos prazeres, Mas no celeste cortejo, Terás o materno beijo, Não serás orphão tambem?