III.
Desprega tuas azas de cores suaves, Adeja no espaço, procura o teu Deos: O aroma das flores, o canto das aves, O que ha de mais puro se entranha nos céos.
Oh! foge da terra: bem como a neblina Que em rolos de neve, que espuma figura, Mais frouxa, mais leve, na luz matutina, Qual nuvem d’incenso, do céo se pendura.
Mas quando a balança dos nossos destinos, Na grávida concha dos nossos peccados Sumir-se no abysmo--dos raios divinos Os golpes apára nos contos dourados.
Não caia do Eterno a justa inclemencia No povo, que soube teu berço guardar; Ampara-o nas azas da tua innocencia, Que os prantos de um anjo nos podem salvar.
Desdobra tuas azas de cores suaves, Adeja no espaço, procura o teu Deos: O aroma das flores, e o canto das aves E o que ha de mais puro se perde nos céos.