Chapter 34 of 141 · 147 words · ~1 min read

IV.

Houve tempo em que os meos olhos Gostavão de lindo infante, Com a candura e sorriso Que adorna infantil semblante.

Gostavão do grave aspecto De magestoso ancião, Tendo nos labios conselhos, Tendo amor no coração.

Um representa a innocencia, Outro a verdade sem véo; Ambos tão puros, tão graves, Ambos tão perto do céo!

Infante e velho!--principio e fim da vida!-- Um entra neste mundo, outro sae delle, Gozando ambos da aurora;--um sobre a terra, E o outro lá nos céos.--O Deos, que é grande, Do pobre velho compensando as dôres, O chama para si; o Deos clemente Sobre a innocencia de continuo vela. Amei do velho o magestoso aspecto, Amei o infante que não tem segredos, Nem cobre o coração co’os folhos d’alma. Amei as doces vozes da innocencia, A rispida franqueza amei do velho, E as rigidas verdades mal sabidas. Só por labios senis pronunciadas.