IV.
Houve tempo em que os meos olhos Gostavão de lindo infante, Com a candura e sorriso Que adorna infantil semblante.
Gostavão do grave aspecto De magestoso ancião, Tendo nos labios conselhos, Tendo amor no coração.
Um representa a innocencia, Outro a verdade sem véo; Ambos tão puros, tão graves, Ambos tão perto do céo!
Infante e velho!--principio e fim da vida!-- Um entra neste mundo, outro sae delle, Gozando ambos da aurora;--um sobre a terra, E o outro lá nos céos.--O Deos, que é grande, Do pobre velho compensando as dôres, O chama para si; o Deos clemente Sobre a innocencia de continuo vela. Amei do velho o magestoso aspecto, Amei o infante que não tem segredos, Nem cobre o coração co’os folhos d’alma. Amei as doces vozes da innocencia, A rispida franqueza amei do velho, E as rigidas verdades mal sabidas. Só por labios senis pronunciadas.