I.
Eras criança ainda; mas teu rosto De ver-me ao lado teu se espanejava Á luz fugaz de um infantil sorriso! Eras criança ainda; mas teus olhos De uma brandura angelica, indizivel, De sympathicas lagrimas turbavão-se Ao ver-me o aspecto merencorio e triste; E amigo refrigerio me sopravão, Um balsamo divino sobre as chagas Do coração, que a dôr me espedaçava! A luz de uma razão que desabrocha, As leves graças, que a innocencia adornão, Os infantis requebros, as meiguices De uma alma ingenua e pura--em ti brilhavão. Eu, gasto pela dôr antes de tempo, Conhecendo por ti o que era a infancia, Remoçava de ver teu rosto bello. Pouco era vel-o!--em ti me transformava; Bebendo a tua vida em longos tragos, Todo o teu ser em mim se transfundia: Meu era o teu viver, sem que o soubesses, Tua innocencia, tuas graças minhas: Não, não era ditoso em taes momentos, Mas de que era infeliz me deslembrava!
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Tinhas sobre mim poder immenso, Indizivel condão, e o não sabias! Assim da tarde a brisa corre a terra, Embalsamando o ar e o céo de aromas: Enreda-se entre flores suspirosa, Geme entre as flores que o luar prateia, E não sabe, e não vê, quantos queixumes Apaga--quantas magoas alivia! Assim, durante a noite, o passarinho Em moita de jasmins derrama occulto Merencorias canções nos mansos ares; E não sabe, o feliz, de quantos olhos Tristes, mas doces lagrimas, arranca!