Chapter 111 of 141 · 245 words · ~1 min read

V.

Soltai-o!--diz o chefe. Pasma a turba; Os guerreiros murmurão: mal ouvírão, Nem poude nunca um chefe dar tal ordem! Brada segunda vez com voz mais alta, Afrouxão-se as prisões, a embira cede, A custo, sim; mas cede: o estranho é salvo. --Tymbira, diz o indio enternecido, Solto apenas dos nós que o seguravão: Es um guerreiro illustre, um grande chefe, Tu que assim do meu mal te commoveste, Nem soffres que, transposta a natureza, Com olhos onde a luz já não scintilla, Chore a morte do lho o pae cançado, Que somente por seu na voz conhece. --Es livre; parte. --E voltarei. --Debalde. --Sim, voltarei, morto meu pai. --Não voltes! E bem feliz, se existe, em que não veja, Que filho tem, qual chora: es livre; parte. --Acaso tu suppões que me acobardo, Que receio morrer! --Es livre; parte! --Ora não partirei; quero provar-te Que um filho dos Tupis vive com honra, E com honra maior, se acaso o vencem, Da morte o passo glorioso affronta.

--Mentiste, que um Tupi não chora nunca, E tu choraste!... parte; não queremos Com carne vil enfraquecer os fortes.

Sobresteve o Tupi:--arfando em ondas O rebater do coração se ouvia Precipite.--Do rosto afogueado Gelidas bagas de suor corrião: Talvez que o assaltava um pensamento... Já não ... que na enlutada fantasia, Um pesar, um martyrio ao mesmo tempo, Do velho pae a moribunda imagem Quasi bradar-lhe ouvia:--Ingrato! ingrato! Curvado o collo, taciturno e frio, Espectro d’homem, penetrou no bosque!