Chapter 112 of 141 · 394 words · ~2 min read

VI.

--Filho meu, onde estás? --Ao vosso lado; Aqui vos trago provisões: tomai-as, As vossas forças restaurai perdidas, E a caminho, e já! --Tardaste muito! Não era nado o sol, quando partiste, E frouxo o seu calor já sinto agora!

--Sim, demorei-me a divagar sem rumo, Perdi-me nestas matas intrincadas, Reaviei-me e tornei; mas urge o tempo; Convem partir, e já! --Que novos males Nos resta de soffrer?--que novas dores, Que outro fado pior Tupan nos guarda? --As setas da afflicção já se esgotárão, Nem para novo golpe espaço intacto Em nossos corpos resta. --Mas tu tremes! --Talvez do afan da caça... --Oh filho caro! Um quê mysterioso aqui me falla, Aqui no coração; piedosa fraude Será por certo, que não mentes nunca! Não conheces temor, e agora temes? Vejo e sei: é Tupan que nos afflige, E contra o seu querer não valem brios. Partamos!...-- E com mão tremula, incerta Procura o filho, tateando as trevas Da sua noite lugubre e medonha. Sentindo o acre odor das frescas tintas, Uma idéa fatal correu-lhe á mente.... Do filho os membros gelidos apalpa, E a dolorosa maciez das plumas Conhece estremecendo:--foge, volta, Encontra sob as mãos o duro craneo, Despido então do natural ornato!.... Recúa afflicto e pavido, cobrindo Ás mãos ambas os olhos fulminados, Como que teme ainda o triste velho De ver, não mais cruel, porêm mais clara, D’aquelle exicio grande a imagem viva Ante os olhos do corpo afigurada. Não era que a verdade conhecesse Inteira e tão cruel qual tinha sido; Mas que funesto azar correra o filho, Elle o via; elle o tinha alli presente; E era de repetir-se a cada instante. A dôr passada, a previsão futura E o presente tão negro, alli os tinha; Alli no coração se concentrava, Era n’um ponto só, mas era a morte!

--Tu prisioneiro, tu? --Vós dissestes. --Dos indios? --Sim. --De que nação? --Tymbiras. --E a musurana funeral rompeste, Dos falsos manitôs quebraste a maça.... --Nada fiz ... aqui estou. --Nada!-- Emmudecem; Curto instante depois prosegue o velho: --Tu es valente, bem o sei; confessa, Fizeste-o, certo, ou já não fôras vivo!

--Nada fiz; mas souberão da existencia De um pobre velho, que em mim só vivia.... --E depois?... --Eis me aqui. --Fica esse taba? --Na direcção do sol, quando transmonta. --Longe? --Não muito. --Tens razão: partamos. --E quereis ir?... --Na direcção do occaso.