Chapter 32 of 141 · 169 words · ~1 min read

II.

Agora a flôr que m’importa, Ou a brisa perfumada, Ou o som d’amiga fonte Sobre pedras despenhada?

Que me importa a voz confusa Do bosque verde-frondoso. Que m’importa a branca lua, Que m’importa o sol formoso?

Que m’importa a nova aurora, Quando se pinta no céo; Que m’importa a feia noite, Quando desdobra o seo véo?

Estas scenas, que amei, já me não causão Nem dôr e nem prazer!--Indifferente, Minha alma um só desejo não concebe, Nem vontade já tem!... Oh! Deos! quem pôde Do meo imaginar as puras azas Cercear, desprender-lhe as niveas plumas, Roja-las sobre o pó, calca-las tristes? Perante a creação tão vasta e bella Minha alma é como a flôr que pende murcha; E qual profundo abysmo:--embalde estrellas Brilhão no azul dos céos, embalde a noite Estende sobre a terra o negro manto: Não póde a luz chegar ao fundo abysmo, Nem póde a noite ennegrecer-lhe a face; Não póde a luz á flôr prestar mais brilho, Nem viço e nem frescor prestar-lhe a noite!