Chapter 29 of 141 · 238 words · ~1 min read

VI.

E o exercito contrario entra rugindo Na villa, que as suas portas lhe franqueia: Rasteiro corre o incendio e surdamente O custoso edificio ataca e mina. Eis que a chamma roaz amostra as fendas Das portas que se abrasão; descortina O torvo olhar do vencedor--apenas-- Lá dentro o incendio só, fóra só trevas! Urros de frenesi, de dôr, de raiva Escutão dos que, ás subitas colhidos, Contra os muros em brasa se arremeção; Dos que, perdido o tino, intentão loucos Achar a salvação, e a morte encontrão. Lá dentro confusão, silencio fóra! São carrascos aqui, victimas dentro. Geme o travejamento, estrala a pedra, Cresce horror sobre horror, desaba o tecto, E o fumo ennegrecido se ennovella Co’o vertice sublime os céos roçando. Como o vulcão que a lava arroja ás nuvens, Como ignea columna que da terra Hiante rebentasse,--tal se eleva, Tal sobe aos ares, tal se empina e cresce A labareda portentosa; e baixa, E desce á terra, e o edificio enrola, E o sorve inteiro, qual se forão vagas Que a dura rocha do alicerce abalão, Que a enlação, como a prêa,--e ao fundo pégo Levão, deixando o mar branco d’espuma. No horror da noite, sibilando os ventos, Lingoas pyramidaes do atroz incendio, Fumosas pelas ruas estalando, Tingem da côr do inferno a côr da noite, Tingem da côr do sangue a côr do inferno! --O ar são gritos, fumo o céo, e a terra fogo.