VII.
Houve tempo em que eu sentia Grave e solemne afflicção, Quando ouvia junto ao morto Cantar-se a triste oração.
Quando ouvia o sino escuro Em sons pesados dobrar, E os cantos do sacerdote Erguidos junto do altar.
Quando via sobre um corpo A fria lousa cahir; Silencio debaixo della, Sonhos talvez--e dormir.
Feliz quem dorme sob a lousa amiga, Tepida talvez com o pranto amargo Dos olhos da afflicção;--se os mortos sentem, Ou se almas tem amor aos seos despojos, Certo dos pés do Eterno, entre a alleluia, E o gozo lá dos céos, e os córos d’anjos, Hão de lembrar-se com prazer dos vivos, Que chorão sobre a campa, onde já brota O denso musgo, e já desponta a relva.
Lagem fria dos mortos! quem me dera Gozar do teo descanço, ir asilar-me Sob o teo sancto horror, e nessas trevas Do bulicio do mundo ir esconder-me! Oh! lagem dos sepulchros! quem me désse No teo silencio fundo asilo eterno! Ahi não pulsa o coração, nem sente Martyrios de viver quem já não vive.
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HYMNOS.
Singe dem Herrn mein Lied, und du, begeisterte Seele, Werde ganz Jubel dem Gott, den alle Wesen bekennen! WIELAND.
MESQUINHO TRIBUTO DE PROFUNDA AMIZADE AO DR. J. D. LISBOA SERRA.
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O MAR.
Frappé de ta grandeur farouche Je tremble ... est-ce bien toi, vieux lion que je touche, Océan, terrible océan! TURQUETY.
Oceano terrivel, mar immenso De vagas procellosas que se enrolão Floridas rebentando em branca espuma N’um pólo e n’outro pólo, Emfim ... emfim te vejo; emfim meos olhos Na indomita cerviz tremulos cravo, E esse rugido teo sanhudo e forte Emfim medroso escuto!
D’onde houveste, ó pelago revolto, Esse rugido teo? Em vão dos ventos Corre o insano pegão lascando os troncos, E do profundo abysmo Chamando á superficie infindas vagas, Que avaro encerras no teo seio undoso; Ao insano rugir dos ventos bravos Sobresáe teo rugido. Em vão troveja horrisona tormenta; Essa voz do trovão, que os céos abala, Não cobre a tua voz.--Ah! d’onde a houveste, Magestoso oceano?
Ó mar, o teo rugido é um echo incerto Da creadora voz, de que surgiste: Seja, disse; e tu foste, e contra as rochas As vagas compelliste. E á noite, quando o céo é puro e limpo, Teo chão tinges de azul,--tuas ondas correm Por sobre estrellas mil; turvão-se os olhos Entre dois céos brilhantes.
Da voz de Jehovah um echo incerto Julgo ser teo rugir; mas só, perenne, Imagem do infinito, retratando As feituras de Deos. Por isto, a sós comtigo, a mente livre Se eleva, aos céos remonta ardente, altiva, E d’este lodo terreal se apura, Bem como o bronze ao fogo. Férvida a Musa, co’os teos sons casada, Glorifica o Senhor de sobre os astros Co’a fronte além dos céos, além das nuvens, E co’os pés sobre ti.
O que ha mais forte do que tu? Se erriças A coma perigosa, a náo possante, Extremo de artificio, em breve tempo Se afunda e se anniquila. Es poderoso sem rival na terra; Mas lá te vás quebrar n’um grão d’areia, Tão forte contra os homens, tão sem força Contra coisa tão fraca!
Mas n’esse instante que me está marcado, Em que hei de esta prisão fugir p’ra sempre, Irei tão alto, ó mar, que lá não chegue Teo sonoro rugido. Então mais forte do que tu, minha alma, Desconhecendo o temor, o espaço, o tempo, Quebrará n’um relance o circl’o estreito Do finito e dos céos!
Então, entre myriadas de estrellas, Cantando hymnos d’amor nas harpas d’anjos, Mais forte soará que as tuas vagas, Mordendo a fulva areia; Inda mais doce que o singelo canto De merencoria virgem, quando a noite Occupa a terra,--e do que a mansa brisa, Que entre flôres suspira.
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IDEIA DE DEOS.
Gross ist der Herr! Die Himmel ohne Zahl Sind seine Wohnungen! Seine Wagen die donnernden Gewölke, Und Blitze sein Gespann. KLEIST.