Chapter 38 of 141 · 296 words · ~1 min read

I.

Á voz de Jehovah infindos mundos Se formárão do nada; Rasgou-se o horror das trevas, fez-se o dia, E a noite foi creada.

Luzio no espaço a lua! sobre a terra Rouqueja o mar raivoso, E as espheras nos céos erguerão hymnos Ao Deos prodigioso.

Hymno de amor a creação, que sôa Eternal, incessante, Da noite no remanso, no ruido Do dia scintillante!

A morte, as afflicções, o espaço, o tempo, O que é para o Senhor? Eterno, immenso, que lh’importa a sanha Do tempo roedor?

Como um raio de luz, percorre o espaço, E tudo nota e vê-- O argueiro, os mundos, o universo, o justo; E o homem que não crê.

E elle que póde anniquilar os mundos, Tão forte como elle é, E vê e passa, e não castiga o crime, Nem o impio sem fé!

Porém quando corrupto um povo inteiro O Nome seo maldiz, Quando só vive de vingança e roubos, Julgando-se feliz;

Quando o impio commanda, quando o justo Soffre as penas do mal, E as virgens sem pudor, e as mães sem honra, E a justiça venal;

Ai da perversa, da nação maldicta, Cheia de ingratidão, Que ha de ella mesma sugeitar seo collo Á justa punição.

Ou já terrivel peste expande as azas, Bem lenta a esvoaçar; Vai de uns a outros, dos festins conviva, Hospede em todo o lar!

Ou já torvo rugir da guerra accesa Espalha a confusão; E a esposa, e a filha, de terror oppressa, Não sente o coração.

E o pae, e o esposo, no morrer cruento, Vomita o fel raivoso; --Milhões de insectos vis que um pé gigante Enterra em chão lodoso.

E do povo corrupto um povo nasce Esperançoso e crente, Como do podre e carunchoso tronco Hastea forte e virente.