Chapter 115 of 141 · 266 words · ~1 min read

IX.

Isto dizendo, o miserando velho A quem Tupan tamanha dôr, tal fado Já nos confins da vida reservára, Vae com tremulo pé, com as mãos já frias Da sua noite escura as densas trevas Palpando.--Alarma! alarma!--O velho pára! O grito que escutou é voz do filho, Voz de guerra que ouvio já tantas vezes N’outra quadra melhor.--Alarma! alarma! --Esse momento só vale apagar-lhe Os tão compridos trances, as angustias, Que o frio coração lhe atormentarão De guerreiro e de pae:--vale, e de sobra. Elle que em tanta dôr se contivera, Tomado pelo subito contraste, Desfaz-se agora em pranto copioso, Que o exhaurido coração remoça.

A taba se alborota, os golpes descem, Gritos, imprecações profundas soão, Emmaranhada a multidão braveja, Revolve-se, ennovela-se confusa, E mais revolta em mor furor se accende. E os sons dos golpes que incessantes fervem, Vozes, gemidos, estertor de morte Vão longe pelas ermas serranias Da humana tempestade propagando Quantas vagas de povo enfurecido Contra um rochedo vivo se quebravão.

Era elle, o Tupi; nem fôra justo Que a fama dos Tupis--o nome, a gloria, Aturado labor de tantos annos, Derradeiro brasão da raça extincta, De um jacto e por um só se aniquilasse.

--Basta! clama o chefe dos Tymbiras, --Basta, guerreiro illustre! assás lutaste, --E para o sacrificio é mister forças.--

O guerreiro parou, cahio nos braços Do velho pae, que o cinge contra o peito, Com lagrimas de jubilo bradando: «Este, sim, que é meu filho muito amado! «E pois que o acho em fim, qual sempre o tive, «Corrão livres as lagrimas que choro, «Estas lagrimas, sim, que não deshonrão.»