IV.
Socia do forasteiro, tu, saudade, N’esta hora os teos espinhos mais pungentes Cravas no coração do que anda errante. Só elle, o peregrino, onde acolher-se, Não tem tugurio seo, nem pae, nem ’sposa, Ninguem que o espere com sorrir nos labios E paz no coração,--ninguem que extranhe, Que anceie afflicto de o não ver comsigo! Cravas então, saudade, os teos espinhos; E elles, tão pungentes, tão agudos, Varando o coração de um lado a outro, Nem trazem dôr, nem desespero incitão; Mas remanso de dôr, mas um suave Recordar do passado,--um quê de triste Que ri ao coração, chamando aos olhos, Tão espontaneo, tio fagueiro pranto, Que não fora prazer não derramal-o.
E quem--ah tão feliz!--quem peregrino Sobre a terra não foi? Quem sempre ha visto Sereno e brando deslisar-se o fumo Sobre o tecto dos seos; e sobre os cumes Que os seos olhos hão visto á luz primeira Crescer branca neblina que se enrola, Como incenso que aos céos a terra envia? Tão feliz! quando a morte involta em pranto Com gelado suor lh’enerva os membros, Procura inda outra mão co’a mão sem vida, E o extremo scintillar dos olhos baços, De um ente amado procurando os olhos, Sem prazer, mas sem dôr, alli se apaga. O exilado! esse não; tão só na vida, Como no passamento ermo e sosinho, Sente dôres crueis, torvos pezares Do leito afflicto esvoaçar-lhe em torno, Roçar-lhe o frio, o pallido semblante, E o instante derradeiro amargurar-lhe.
Porém, no meo passar da vida á morte, Possa co’a extrema luz d’estes meos olhos Trocar ultimo adeos com os teos fulgores! Ah! possa o teo alento perfumado, Do que na terra estimo, docemente Minha alma separar, e derramal-a Como um vago perfume aos pés do Eterno.
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O TEMPLO.
....Jéhovah déploie autour de nos demeures Le linceul de la nuit, et la chaîne des heures Tombe anneau par anneau. TURQUETY.