III.
Homem que vive agro viver de côrte, Indifferente olhar derrama a custo Sobre os fulgores teos;--homem do mundo Mal pode o desbotado pensamento Revolver sobre o pó; mas nunca, oh nunca! Ha de elevar-se a Deos, e nunca ha de elle Na abobada celeste ir pendurar-se, Como de rosea flôr pendente abelha. Homem da natureza, esse contemple De purpura tingir a luz que morre As nuvens lá no occaso vacillantes! Ha de vida melhor sentir no peito, Sentir doce prazer sorrir-lhe n’alma, E fonte de ternura inexgotavel Do fundo coração brotar-lhe em ondas.
Hora do pôr do sol!--hora fagueira, Qu’encerras tanto amor, tristeza tanta! Quem ha que de te ver não sinta enlevos, Quem ha na terra que não sinta as fibras Todas do coração pulsar-lhe amigas, Quando d’esse teo manto as pardas franjas Sóltas, roçando a habitação dos homens? Ha hi prazer tamanho que embriaga, Ha hi prazer tão puro, que parece Haver anjos dos céos com seos acordes A misera existencia acalentado!