III.
Talvez quando o sol nasce, lá divisas Na liquida extensão do mar salgado Correr com mansas brisas Um ligeiro batel aparelhado.
As velas de setim brancas de neve Rutilão d’entre as flamulas e cores, E o barco airoso e leve Nos remos voga de gentis amores.
Não formão rijos sons celeuma dura, Nem a companha entre bulcões desmaia; Aragem fresca e pura Doces carmes de amor conduz á praia.
Sonhas talvez nas orlas do occidente, De um regato sentada á branda margem, Ver surgir de repente De uma cidade a caprichosa imagem!
Soberbas construcções fantasiando, Vês agulhas subtis cortando os céos, E a luz do sol doirando Rutilos tectos, altos corucheos.
Sonhas talvez palacios encantados, Espaçosos jardins, fontes de prata, Vergeis de sombra grata, Onde a alma folga, isenta de cuidados.
Sonhas talvez, mas innocente Armida, Passar a facil quadra dos amores, Tendo em laço de flores Preso de quem mais amas peito e vida!
Quem me dera saber quaes são teus sonhos? Aventar teus mais intimos desejos, E ser o genio bom que t’os cumprisse!