III.
Ruge e brame, sublime tempestade! Desprende as azas do tufão que enfreias, Despega os élos do veloz corisco E as nuvens rasga em rubidas crateras. Os fuzis da cadeia temerosa Desfaz e quebra; e o espaço e as nuvens Do teo açoite aos lategos bramindo, Occupem de pavor os céos e a terra. Ruge, e o teo poder mostra rugindo; Que assim por teos influxos me commoves, Que todo me electrisas e me arroubas!
Qual foi Mazeppa no veloz ginete Por desertos, por syrtes arenosas Jungido e preso e attonito levado; Assim minha alma sobe e vai comtigo, E vinga os teos palacios mais subidos, Contempla os teos horrores, e dos astros No prazer, que lhe dás, toda embebida, Máo grado teo horror, folga comtigo! Parece que alli tem a regia c’roa Que o feliz condemnado achou na Ukraina. Ruge, ruge embora, ó tempestade!
Emfim descendo a chuva copiosa Nuvens, bulcões desfaz; os rios crescem, De perolas a relva se matisa, O céo de puro azul todo se arreia, Sorri-se a natureza, e o sol rutila!