I.
Que sonha a donzella, Tão vaga, tão linda, Bemquista e bemvinda Na terra e no céo? Que scisma? que pensa? Que faz? que medita, Que o seio lhe agita Tão bravo escarcéo?
Que faz a donzella, Se lagrimas quentes Das faces ardentes Lhe queimão a tez? Que sonha a donzella, Se um riso fagueiro, Donoso e ligeiro Nos labios lhe vês?
Que faz a donzella, Que scisma, ou medita? Talvez lá cogita Fruir algum bem; Então porque chora? Se curte agras dores D’ingratos amores, O riso a que vem?
Semelha a donzella, Que ri-se e que chora, Á limpida aurora, Que orvalha dos céos; Não luz mais brilhante, Não chora mais prantos, Não tem mais encantos, Que um riso dos seus.