I.
O immenso aposento a luz alaga Com soberbo clarão, E as mezas do banquete se devolvem Pelo vasto salão;
E os instrumentos palpitantes sôão Frenetica harmonia; E o côro dos convivas se levanta Pleno d’ebria alegria!
Alli se ostenta o nobre vicioso Rebuçado em orgulho,--o rico infame, Cheio de mesquinhez,--o envilecido, Immundo pobre no seo manto involto De miserias, torpeza e villanias; --A prostituta que alardêa os vicios, Menospresando a castidade e a honra, Sem pejo, sem pudor, d’infamia eivada.
E o livre dithyrambo, a atroz blasphemia, Os cantos immoraes, canções impudicas, Gritos e orgia involta em negro manto De fumo e vinho,--os ares aturdião; E muito além, no meio d’alta noite, Nos echos, ruas, praças rebatião.