I.
Bello raio do sol da existencia, Meninice fagueira e gentil, Doce riso de pura innocencia Sempre adorne teu rosto infantil.
Sempre tenhas, anginho innocente, Quem se apresse a teus passos guiar, E uma voz que o teu somno acalente, E um sorriso no teu acordar.
Enlevada nos sonhos jucundos, Voz etherea te venha fallar, E visão d’outros céos, d’outros mundos, Venha amiga tua alma encantar.
* * * * *
Leda infancia gentil! e quem não te ama? Quem tão de pedra o coração não sente Aos teus encantos meigos mais tranquillo? Quem não sente memorias d’outras eras Travarem-lhe da mente, ao recordar-se Aquelle gozo puro e suavissimo De vida, que jámais não tem logrado? Recordações de um mundo adormecido Lá lhe estão dentro d’alma esvoaçando, Como harpejos de musica longinqua! E a mente nos seus quadros embebida, Por magica illusão enfeitiçada, Como outr’ora, talvez sómente veja Na terra--um chão de flôres estrellado, E nos céos--outro chão de flôres vivas!