I.
É bella a noite, quando grave estende Sobre a terra dormente o negro manto De brilhantes estrellas recamado; Mas nessa escuridão, nesse silencio Que ella comsigo traz, ha um quê de horrivel Que espanta e desespera e geme n’alma; Um quê de triste que nos lembra a morte! No romper d’alva ha tanto amor, tal vida, Ha tantas côres, brilhantismo e pompa, Que fascina, que attrahe, que a amar convida; Não pode supportal-a homem que soffre, Orfãos de coração não podem vel-a.
Só tu, feliz, só tu, a todos prendes! A mente, o coração, sentidos, olhos, A ledice e a dôr, o pranto e o riso, Folgão de te avistar;--são teos,--es d’elles. Homem que sente dôr folga comtigo, Homem que tem prazer folga de ver-te! Comtigo sympathisão, porque es bella, Qu’es mãe de merencorios pensamentos, Entre os céos e a terra extasis doce, Entre dôr e prazer celeste arroubo.