IV.
Vio primeiro os incolas Robustos, das florestas, Batendo os arcos rigidos, Traçando homereas festas, Á luz dos fogos rutilos, Aos sons do murmuré! E em Guanabara esplendida As danças dos guerreiros, E o guáu cadente e vário Dos moços prazenteiros, E os cantos da victoria Tangidos no boré.
E das ygaras concavas A frota aparelhada, Vistosa e formosissima Cortando a undosa estrada, Sabendo, mas que frageis, Os ventos contrastar: E a caça leda e rapida Por serras, por devesas, E os cantos da janubia Junto ás lenhas accesas, Quanto o tapuya misero Seos feitos vai narrar!
E o germen da discordia Crescendo em duras brigas, Ceifando os brios rusticos Das tribus sempre amigas, --Tamoy a raça antigua, Feroz Tupinambá. La vai a gente improvida, Nação vencida, imbelle, Buscando as matas invias, Donde outra tribu a expelle; Jaz o pagé sem gloria, Sem gloria a maracá.
Depois em náos flammivomas Um troço hardido e forte, Cobrindo os campos humidos De fumo, e sangue, e morte, Traz dos reparos horridos D’altissimo pavez: E do sangrento pelago Em miseras ruinas Surgir galhardas, limpidas As portuguezas quinas, Murchos os lises candidos Do improvido gaulez!