II.
Se algum suspiro de abafada angustia, Se um ai do peito que exhalar não ouso, O meigo encanto dos teus sonhos quebra; Tu me perdôa.
Cansado e triste de viver soffrendo, Da morte amiga o negro espectro invoco, Affiz-me as dores, e só torva ideia Me apraz agora.
Talvez na pedra d’um sepulchro frio Melhor folgára de me ver deitado, Sentir nos olhos estancado o pranto E amodorrado o padecer no peito.
Talvez folgára minha sombra triste, Vagando em tomo d’uma campa lisa, De ver-te as formas, de contar teus passos, E de escutar tua oração piedosa.
Talvez folgára, quando pranto amargo Dos olhos teus me rorejasse a campa, Dos meigos labios, onde amor temperas, Meu nome ouvindo!
Oh! sim, folgára de sentir a brisa, Correndo em tomo ao moimento meu, E tu sósinha no sepulchro humilde, Guardando os tristes deslembrados ossos!
Junto ao meu corpo guardarei teu leito, Onde os teus restos junto aos meus descancem; E o mesmo sol, e a mesma lua e brisa Juntos nos vejão.
E quando o anjo espedaçar as campas Ao som da trompa de fragor horrendo, Que ha de o lethargo despertar dos mortos Na vida eterna;
Primeiro em ti se fitarão meus olhos: Hei de alegrar-me de te ver commigo, E as nossas almas subirão reunidas Á eterna face do juiz superno.
E deste amor, por que ambos nós passamos, O galardão lhe pediremos ambos, Viver unidos na mansão dos justos, Ou nos tormentos da eternal gehenna!